Nem lá

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Fazia sol. E os passarinhos mal se aguentavam pousados nos fios. Tudo era calor e, naquela manhã, não caíra o orvalho. De todo o jardim, as petúnias foram as primeiras a pedir arrego. E o louva-deus, coitado, não se via mais em preces para que houvesse alguma mudança.
Fazia muito sol, e daqueles que qualquer passante diria ser “de rachar mamona”. Os sabiás que aqui gorjeavam, mudaram de ideia e foram tentar outras paragens. As margaridinhas que reinavam absolutas por toda a extensão do quintal, disputavam fervorosamente um cantinho de sombra da sibipiruna. Mas era tudo tão em vão. O calor só aumentava.
Fazia um sol indecente, digno de políticas públicas resolutas. Mas o capim berrava por água, ao invés da vaquinha, que há tempos pastava por ali. O verde se tornou cinza. E, de alguns rabiscos no muro, sobraram apenas o giz branco, já que todos as cores perderam espaço para a poeira vermelha. Não havia mais amarelinha na calçada, muito menos esconde-esconde por cima das árvores. A mãe já não deixava assim, tão fácil, que brincadeiras da rua fossem executadas. O salve-bandeira era agora salve-se quem puder.
Fazia um sol danado. Mas a mulher do tempo na tevê anunciou uma chuvazinha para o fim da tarde. Eba! Só que veio tempestade. Alagou tudo. Estragou tudo. Arrancou os fios que os passarinhos costumavam pousar. Afogou as petúnias e as margaridinhas. Jogou longe a sibipiruna. O capim virou alga-marinha. No muro, tudo foi lavado, menos a alma da mãe e das crianças, que continuaram escondidas dentro de casa. Mesmo com toda a frescura, ainda era perigoso sair de casa. Outros motivos, segundo a mãe.
O sol voltou no dia seguinte. Mas tudo estava revirado e diferente. Fazia um sol ardido e maledicente. Mas outra chuvinha daquelas ameaçava tomar o reino da tarde.
A prefeitura de Pasárgada anunciara estado de calamidade pública.

* Este texto deveria ter sido escrito no dia 15, sob a alcunha do Blog Action Day, uma iniciativa em que blogueiros do mundo inteiro deveriam postar alguma coisa sobre as mudanças climáticas na terra. Desculpem o atraso, mas é que caiu uma chuvinha…

2 Respostas para “Nem lá”


  1. 1 Fran Outubro 19, 2009 às 2:58 am

    Credo, nem em Pasárgada?

    =S

    Ótimo texto!!

  2. 2 Dani Outubro 21, 2009 às 1:23 am

    Adorei o texto…
    Tô cansada desse calor doido e desse tempo maluco. Onde já se viu chuva no mês de agosto.


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Eu? Quem?

Renan Rigo. Jornalista. Acostumado ao ilógico e ao irreal (muitas vezes surreal), gosta mesmo é de falar das coisas bestas e engraçadas que existem. Falar sério? Hã... de vez em quando também é bom! Mas só de vez em quando!

Rapidinhas! ;)

  • se a Eliana disser "adorooooo" mais uma vez juro q desligo a TV - tv aberta no domingo é... é... indescritível! ¬¬ 6 hours ago
  • ainda bem q rolou filminho pra relaxar os ânimos... juro q eu achava q o Benjamin Button ia morrer de modo "foda"! hahaha "gozado né"?! haha 6 hours ago
  • realmente não sei q diferença faz para um assessor qual a 1a. publicação voltada ao público interno e externo, em 1847, nos Estados Unidos! 6 hours ago
  • aliás... quem diabos é Polistchuk e Trinta? #teoriadacomunicacaofail 6 hours ago
  • cérebro hj já exerceu a cota do dia: prova do mdic d manhã e filme do Benjamin Button a tarde.. cabeça doendo... tico e teco sobrecarregados 6 hours ago

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