Tons de cinza

Water Texture
O céu, como sempre, amanhecera azul. No entanto, com o pique do meio-dia a escuridão instalou-se como a bruma leve que chega momentânea e toma conta. Dos olhares, furtivos, fez-se a trava por sobre os olhos para o não enxergar de suas cores. Era, em total, cinza. E pétrea. E pálida – sua feição.

Esvaneceu-se como suas palavras no momento em que nada dissera. Estaria ocupado, entre tantos trabalhos, ou apenas não acreditava ser necessário perder tempo em dar uma resposta a indagações tolas e sem propósito. Aliás, odiava como quando insistia no debate e nada obtivera em retorno. A indiferença é mais ferina que a bofetada na face.

Talvez fosse melhor se fosse ríspido. Se questionasse, se esperneasse, se gritasse e se xingasse. Preferia ouvir palavrões desencontrados, ver-lhe perder a cabeça, e esvaziar-se, finalmente, em desabafo. Mas não. Ainda assim o silêncio era a única resposta que vinha de tempo em tempo após uma mera menção de interesse. Assim como a tarde que se desfez em chuva. E esfriou.

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